quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Debate sobre Turismo Étnico Religioso reúne povo de santo

Por Luana Assiz

Representantes de mais de 70 comunidades de terreiros de Salvador e algumas cidades do interior do Estado se reuniram no Centro de Convenções da Bahia para debater propostas de gestão do turismo étnico religioso. O encontro foi organizado pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur), representada pelo secretário Domingos Leonelli, o coordenador de Turismo Étnico, Billy Arquimimo, e o superintendente de Turismo, Celso Zallio. Entre as autoridades religiosas, estavam a Macota Valdina, a Ialorixá do terreiro Axé Abassá de Ogum, Jaciara Ribeiro, Ribamar, do Ilê Axé Opô Afonjá e Anselmo Santos, do terreiro Mokambo. A presidente da Bahiatursa, Emília Silva, e o historiador Jaime Sodré também compareceram ao evento.

Segundo Arquimimo, após o encontro, serão produzidos materiais educativos, como cartilhas e manuais, “e, até mesmo, projetos de lei”. Ele afirma que “existe, antes de tudo, um projeto econômico: queremos aumentar o fluxo de turistas, principalmente os norte-americanos, que somam 41 milhões de negros interessados em turismo étnico”. Em Salvador, as ações da Setur serão de caráter pedagógico, resultando na realização de cursos de capacitação para o povo de santo. Até agora, os terreiros do Bogum e Ilê Axé Opô Afonjá firmaram parceria com a secretaria. Leonelli esclareceu que não haverá investimentos financeiros nos terreiros, mas a ação de “operadores de peso” que “vendam o produto Bahia” no exterior, o que implica a presença de agentes de viagem e empresários negros no mercado.

“Tudo isso pode parecer novidade, mas não é. É uma vontade antiga das casas de candomblé, mas ninguém tem recursos para desenvolver essa proposta”, esclarece o sacerdote Anselmo, que tem como propostas a realização de aulas práticas das Faculdades de Turismo nos terreiros e o intercâmbio entre tribos africanas e os templos religiosos de matriz africanas. “Poderíamos acolher pessoas de tribos africanas por algum tempo e, do mesmo modo, ser acolhidos nessas tribos”, sugere.

Desconfiada dos interesses da Setur em fomentar o turismo étnico, Macota Valdina reivindicou a participação do povo de santo na elaboração dos materiais educativos. “O Tanuri oferece palestras, seminários e apostilas explicativas para turistas. É assim que deve ser, não queremos que estudiosos vão para os terreiros dizer como nós somos. Nós podemos fazer isso”, alerta.

Documentário
Uma série de depoimentos de membros de comunidades religiosas de matriz africana emocionou a platéia. Dirigido por Manoel Passos, o documentário “Povo de Santo” teve sua pré-estréia durante o evento, para um público seleto. As filmagens aconteceram neste ano, com apoio da Fundação Cultural Palmares e do Núcleo Omi-Dùdú, e será lançado em toda a América Latina no dia 23 de novembro.

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