Mais de 60 moradores do bairro da Liberdade participaram da II Conferência Municipal de Cultura, realizada pela Fundação Gregório de Matos. Em pauta, as contribuições da população para direcionar a interferência do governo no local. Em dois dias de programação (15 e 16), a II Conferência também debateu políticas públicas para os bairros da cidade, sendo eles o Subúrbio, Brotas, Itapagipe, Centro Histórico, Federação, o chamado “Miolo Central”, a Orla Atlântica e Liberdade.
Para compor a mesa destinada às discussões sobre o bairro de maior concentração de população negra de Salvador, foram convidados Osvalrizio do Espírito Santo, o diretor do Ilê Aiyê, Paulinho Kambuí, do Instituto Sócio-Cultural Carnavalesco Imbassorá Iyá, Arailton Conceição, responsável pela rádio comunitária da Liberdade, e Darcy Xavier, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.
Segundo Kambuí, três reuniões com a participação de 30 entidades sócio-culturais da Liberdade antecederam o evento. Os encontros resultaram na definição coletiva das principais reivindicações para a II Conferência, entre elas, o apoio ao calendário de festas do bairro. Osvalrizio citou o enfraquecimento das comemorações tradicionais, como a Festa de Reis, o carnaval, o desfile da Independência da Bahia, as homenagens a São Cosme e Damião, entre outras. “Antes, as pessoas ofereciam carurus a quem quisesse entrar em casa, fosse conhecido ou não. As casas agora estão de portas fechadas, por causa da insegurança”, declarou.
Além da reforma de espaços como o Cine Cultural Brasil, foi solicitada a solução de problemas de segurança, infra-estrutura e educação. Segundo Kambuí, os representantes do poder público responsáveis pelo bairro da Liberdade devem procurar as lideranças comunitárias locais para traçar seus planos de atuação no bairro. “A comunidade não tem de se adaptar aos cargos públicos, eles que têm de se adaptar à comunidade”, criticou.
A redução da diversidade de blocos afros, assunto polêmico no debate, foi atribuída à falta de recursos das agremiações, segundo Osvalrizio, que justificou a falta de ensaios abertos do Ilê Aiyê pelo mesmo motivo: “Para fazer ensaios na rua, é preciso pagar iluminação. Falta apoio da prefeitura”. Integrante do Grupo de Teatro Popular Filhos da Rua, Sérgio Santos critica: “O Ilê Aiyê, assim como o [teatro] Vila Velha, devia estar dando resultados em vez de estar cobrando resultados. São instituições que recebem apoio financeiro do governo”, alerta. Santos critica ainda a organização do evento, que na sua opinião não tem a representatividade necessária para a eleição dos delegados estaduais. “A Conferência está vazia. Os fazedores de cultura não estão aqui. Quem participou do evento foram os profissionais e administradores da cultura”, dispara.
Para continuar a discussão, entre os dias 25 e 28 deste mês, haverá a Conferência Estadual de Cultura, em Feira de Santana, onde estarão reunidos os representantes eleitos na II Conferência.

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