domingo, 14 de outubro de 2007

Nkosinathi Biko participa de Conferência Internacional na Reitoria da UFBA




Por Luana Assiz

No mesmo ano em que o Instituto Steve Biko comemora quinze anos de existência, a África do Sul festeja os trinta anos da morte do líder revolucionário que deu nome à entidade baiana. Como parte da programação especial do Instituto, diferentes segmentos da comunidade negra foram convidados a participar, na noite de ontem (09), da sua I Conferência Internacional, intitulada “Biko! Por que Biko: sua história, seu legado” na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Para falar sobre o tema, Nkosinathi Biko, filho de Steve e presidente da Fundação Steve Biko, na África do Sul.


Nkosinathi permanecerá em Salvador durante uma semana, período em que pretende estabelecer diálogos com instituições que promovem ações direcionadas à população negra. “Não estou aqui simplesmente para fazer uma visita, quero trocar experiências. Uma das esperanças é a possibilidade de programas de intercâmbio com o Instituto Steve Biko”, afirma o palestrante, que se reúne hoje com diretores da associação. O diretor do Instituto, Sílvio Humberto, pretende discutir ações afirmativas no encontro, “principalmente ações voltadas para o jovem”, antecipa.


Trinta anos após a morte do Steve, o povo negro sul-africano “tem usado o direito do voto para trazer o povo negro ao poder”, segundo Nkosinathi. Ele considera que o maior desafio hoje é traduzir os avanços políticos em avanços econômicos. Pensando nisso, a Fundação Biko desenvolve, desde 1998, programas comunitários nas áreas de saúde, educação, justiça, economia, arte, cultura e esportes, um trabalho reconhecido em todo o país. “Promovemos a libertação dos jovens da África do Sul. Gosto sempre de lembrar que Steve morreu aos 30 anos, então ele foi um líder jovem, um exemplo para nós”, destaca Nkosinathi.


Aprendiz de Steve, Nkosinathi citou o que o pai chamava de “os ingredientes do espectro racial” como instrumentos de luta contra o racismo na África do Sul. “Precisamos combater duas atitudes: a postura de superioridade dos brancos e a postura de inferioridade dos negros”, explicou. Apesar das desigualdades, o conferencista aponta a existência de ações afirmativas, ainda que tímidas. “Temos mais negros participando da economia atualmente. Algumas indústrias estão reservando cotas raciais. O interessante é que essas políticas são independentes de qualquer imposição do governo”, comemorou.

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