
Por Luana Assiz
Três berimbaus, um atabaque, dois pandeiros e um coro formado por atletas de 39 países formavam a primeira Roda de Capoeira da sexta edição do Festival Internacional de Arte Capoeira na Bahia, iniciado na noite de ontem (20) no Forte Santo Antônio. A abertura do evento ficou por conta de José Tadeu Carneiro Cardoso, o Mestre Camisa, fundador do Grupo Abadá (Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte Capoeira). Ele apresentou os mestres que vieram para o festival e destacou alguns itens da programação, que também acontece no Ginásio Antônio Balbino, o Balbininho, Pelourinho e Farol da Barra.
Natural de Jacobina (BA), Mestre Camisa mora há 35 anos no Rio de Janeiro, onde, há 20 anos, fundou o Abadá com o objetivo de incentivar a profissionalização dos capoeiristas. De volta à sua terra natal até o dia 26, quando termina o festival, ele comemora a harmonia entre os diferentes segmentos da capoeira: “Hoje em dia já existe uma integração entre a capoeira angola e a capoeira regional. É isso que estamos festejando aqui”.
A dobradinha angola e regional reacende a memória dos mestres Pastinha e Bimba, homenageados no Festival, realizado pela primeira vez na Bahia. O superintendente do Forte Santo Antônio, José Augusto Leal aponta a relevância do trabalho de Mestre Camisa, que “leva os ensinamentos que aprendeu como aluno de Mestre Bimba para o mundo”. O resultado disto está em casos como o de Marie Delvque, há seis meses praticando capoeira na Bélgica, afirma que a arte-luta “trabalha mente e corpo, num exercício que ensina uma cultura diferente, marcada pela música, pela dança”.
Criador do grupo de capoeira Mangangá, Mestre Tonho Matéria complementa: “a capoeira ganhou outras dimensões: não é apenas luta, mas entretenimento e arte”, afirmou o mestre, que lançará o Bloco Afro de Capoeira entre os dias 1° e 9 de setembro em Salvador. As atividades desta terça-feira começam às 10 horas, com a oficina de samba de roda ministrada por Nalvinha, filha de Mestre Bimba, na Praça Pedro Arcanjo. No mesmo horário, o professor Bárbaro dará aula de jongo, manifestação cultural de origem africana que teve influências sobre o samba carioca, na Praça Teresa Batista. Também pela manhã, o professor Piriquito conduzirá o curso de metodologia de ensino para professor no Forte Santo Antônio. O evento seguirá até o próximo domingo, sendo encerrado com um aulão no Farol da Barra.

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