sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Releituras das tradições populares recheiam a receita folclórica brasileira

Por Luana Assiz
No dia 22 de agosto de 1965, pouco mais de um ano após o início da ditadura militar, o presidente Castello Branco assinava o decreto federal que instituía o Dia do Folclore Brasileiro. A comemoração, no entanto, não é exclusivamente brasileira. A palavra “folklore” (folk – povo, lore – saber) foi criada pelo inglês Willian John Thoms para se referir às tradições populares. A carta em que defendia essa idéia foi publicada num jornal londrino no dia 22 de agosto de 1846, o que explica a celebração mundial do folclore nesta data.

No imaginário popular brasileiro, personagens como Saci Pererê, Mula Sem Cabeça e Caipora têm cadeira cativa. Ainda hoje, novas versões vêm sendo adicionadas às diversas lendas que compõem esses símbolos. Algumas delas são de autoria do educador Jorge Conceição, um ex-professor universitário que escreve histórias infantis a partir da desconstrução de personagens e outros elementos folclóricos que, segundo ele, “descaracterizam quaisquer identidades étnico-culturais que não sejam européias”.

Em uma de suas histórias, Conceição reúne o “Saci Príncipe Encantado”, a “Princesa Caipora” e Zumbi, o Rei dos Palmares. Em vez de uma perna, duas. Cigarros, charutos e cachimbos não estão mais presentes no figurino do agora orientador ecológico de crianças e protetor dos animais. Sem a fama de bagunceiro e enganador de viajantes, o Saci é dono de uma horta orgânica, cultivada junto com a Caipora. Pés voltados para frente, flautista e educadora infantil. A índia Caipora, que não costuma mais exigir fumo de corda e cachaça dos visitantes da floresta, agora ensina o caminho de volta àqueles que se perdem nas matas.

Recontando histórias deste tipo, o educador pretende resgatar a auto-estima de jovens em situação de risco, “que sofrem com a herança cultural que associa tudo o que é preto ou que tem cores escuras a coisas negativas”, protesta o autor de “O Boi Multicor”. O personagem foi criado em oposição a um dos famosos personagens das cantigas de ninar, o Boi da Cara Preta. As histórias renderam dois livros, lançados em 1995 e 1997.

Apelidadas “Historinhas Nova Era”, as fábulas criadas por Conceição deram origem a cinco livros, número que vai aumentar após a publicação de oito volumes de histórias, ainda sem previsão de lançamento por falta de patrocínio.
Comemoração
Nesta semana, em comemoração ao dia do folclore, será realizado em parceria com o Museu dos Objetos Imaginários o Desfile do Bumba Meu Boi, no Pelourinho, a partir das 16h. O desfile acontecerá com as crianças que são atendidas pela instituição

Nenhum comentário: