A Fundação Cultural Palmares, em parceria com a Associação Cultural Os Negões, o Centro de Estudos e Pesquisas Mário Gusmão (CEMAG), e os Ministérios das Relações Exteriores e da Cultura , realizou, na Fundação Casa de Jorge Amado, o lançamento do livro “A Grande Refazenda – África e Diáspora Pós II CIAD”. O livro reúne artigos de personalidades atuantes em diferentes áreas sociais sobre o processo étnico brasileiro, a partir das decisões acordadas na II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora (CIAD), realizada na cidade de Salvador. em julho do ano passado.O evento, que reuniu representantes do movimento negro da cidade, contou com as presenças de Waldomiro Júnior, membro do CEMAG e organizador editorial, Paulo Nascimento e Walmir França, da Associação Cultural Os Negões e Antônio Pompêo, um dos diretores da Fundação Cultural Palmares. Durante a cerimônia, foi exibido o documentário produzido na II CIAD, que contém depoimentos do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, do ministro da Cultura Gilberto Gil, de Abdias do Nascimento, entre outros, além de registros de trechos das apresentações da CIAD Cultural.
A primeira edição de “A Grande Refazenda” produziu 3 mil exemplares, com textos na versão em português e inglês, no intuito que sejam lidas, também, nos países africanos. Concebida como instrumento de discussão sobre a questão étnica nacional, a obra não será comercializada, sendo distribuídos brevemente entre as entidades do movimento negro, escolas, faculdades e bibliotecas. Para Antônio Pompêo, “o material é importantíssimo, não apenas para a comunidade afro-brasileira, mas para outras nações, pelo fato de ser bilíngüe”.
Segundo o jornalista Waldomiro Júnior, a diversidade de autores pôde resultar em propostas complexas, como a idéia do poeta José Carlos Capinan. Ele defende que todos os afrodescendentes do mundo tenham cidadania africana, como acontece na União Européia. “É uma idéia revolucionária, mas era isso que queríamos: concepções além da materialidade e que podem contribuir para a concretização de novas políticas públicas”, afirma.
II CIAD
A Conferência aconteceu com o objetivo de reunir as produções intelectuais dos africanos e da diáspora e, a partir desse encontro, promover transformações sociais significativas. A capital baiana foi escolhida para sediar o evento por ser a maior cidade de população negra fora da África. A II CIAD teve ainda o Fórum de Diálogos África-Diáspora, voltado para o movimento negro, e a CIAD Cultural, com shows e exposições artísticas. A primeira edição ocorreu em Senegal, na cidade de Dakar em outubro de 2004.

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