quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Mesa redonda encerra comemorações do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Por Luana Assiz
Para comemorar o Dia da Mulher Negra da América Latina e Caribe, a coordenação da Bahia do Fórum Nacional de Mulheres Negras (FNMN) organizou uma mesa redonda, no Palácio da Aclamação (bairro do Campo Grande em Salvador), com o propósito de discutir os avanços da mulher negra nos últimos dez anos. As origens do Movimento datam de 1992, quando as mulheres caribenhas se articularam para estabelecer suas principais reivindicações. Cinco anos depois, a agenda caribenha foi ampliada, contemplando também a mulher latino-americana, que vive problemas semelhantes.

Desde então, o 25 de Julho vem sendo celebrado. Valda França, uma das coordenadoras do FNMN e integrante da comissão organizadora do evento, comemora o crescimento da auto-estima da mulher negra, que hoje ocupa áreas de trabalho diversificadas e pode ser vista com maior freqüência nas universidades. “Esse ano a mobilização tem um nível de conscientização maior, pois sabemos que nosso maior desafio é participar do poder institucional”, afirma.

A análise da evolução do Movimento de Mulheres Negras foi feita a partir de diferentes pontos de vista. Participaram da mesa Olívia Santana, vereadora e presidente da Comissão de Educação, Cultura e Lazer da Câmara Municipal de Salvador, Célia Sacramento, professora-doutora em Ciências Contábeis da UEFS, Maira Azevedo, representante da Coordenação Nacional de Juventude da UNEGRO, Marlene Moreira, coordenadora do Instituto de Educação Teológica da Bahia e Mãe Helenice, do terreiro Ilê Axé Omi J’Obá. Integrante da FNMN, Ubiraci Matildes mediou as discussões.
Avanços e desafios
Célia Sacramento pontuou o empreendedorismo da mulher negra, seja na vida familiar, seja na vida profissional. Ela frisou a necessidade de criação de políticas públicas que orientem a mulher negra quanto aos benefícios que a legislação pode lhe proporcionar. Segundo a professora, a saída da informalidade favorece os pequenos empreendimentos, mas para isso, é preciso que a mulher negra empreendedora conheça seus direitos. “A Lei Maria da Penha e a Lei do Super Simples são desconhecidas por muitas pessoas”, protesta.

Olívia Santana defendeu a política partidária como espaço privilegiado de atuação da mulher negra. “A maior conquista que conseguimos alcançar foi a vitória numa batalha ideológica dentro do movimento feminista, no qual incluímos pautas específicas de nossa agenda. Precisamos agora superar outras batalhas, de ordem política”, defende.

Marlene Moreira destacou aspectos religiosos na luta contra o racismo dentro das igrejas. A valorização da fé de matriz africana ficou a cargo de Mãe Helenice, que conduziu um canto sagrado no final do evento. Maira Azevedo ressaltou as diferenças geracionais dentro da comunidade feminina negra, reconhecendo o papel das militantes mais experientes nas conquistas atuais.

Encerramento
No final do evento, 20 mulheres representantes da luta da mulher negra em diferentes esferas sociais foram homenageadas. Entre elas, Olívia Santana, Vanda Sá Barreto, superintendente de Promoção da Igualdade Racial e Vilma Reis, integrante do Ceafro.

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