quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Gey Espinheira participa de debate no Baobá sobre "Violência e Juventude"

Por Luana Assiz
Uma iniciativa do Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS (Gapa) e da Associação Salvador Negroamor, o Baobá Café Social promoveu ontem (18) o bate-papo “Violência e Juventude”, realizada pelo professor e doutor em sociologia Gey Espinheira. Na platéia, jovens de bairros populares da cidade colocavam suas questões.

O professor iniciou sua participação, criticando algumas abordagens dos episódios recentes que envolveram jovens de classe média. Segundo Espinheira, o discurso que identifica essas pessoas como “jovens que têm tudo e, ainda assim, cometem atrocidades”, é equivocado, pois “nunca se tem tudo”. Ele sustenta que, mesmo com boas condições financeiras, uma pessoa pode não ter boas relações familiares ou bons princípios e limites éticos.

Voltando as atenções para o problema da violência nos subúrbios, onde a concentração de incidentes deste tipo é maior, Espinheira estimula a reflexão dos participantes da conversa, que expõem questões específicas de sua realidade. Foi o que fez uma agente comunitária ao queixar-se da insegurança que atormenta os moradores da periferia. “Vivemos em toque de recolher. Os traficantes mandam nos bairros. Quando chega um policial perguntando quem é usuário de drogas, não tem um que se arrisque a responder, senão morre”, afirma. Na sua opinião, as teorias sobre o problema da violência podem ser compreendidas facilmente, mas diferem totalmente da vida prática.
O sociólogo pondera que não há prática sem teoria. Para sustentar a afirmação, cita os dados demográficos de Salvador, cujas periferias possuem 35% dos lares sem a presença dos conjugues masculinos. “É um padrão de vida diferente daquele existente 30 anos atrás, e mostra que as pessoas não estão em condições semelhantes de evolução na chamada sociedade pós-moderna”, argumenta. Ele complementa que a estagnação do modelo de educação, ainda baseada na disciplina rígida e autoritária, completa o quadro em que o jovem da periferia está situado.
Desdobramentos
Como desdobramento da violência, a discriminação no mercado de trabalho é agravada. A questão foi pautada por uma jovem, preocupada com sua carreira profissional. Ela explica que a maioria dos empregadores não quer aceitar moradores de bairros populares. Para driblar a dificuldade, é comum alterar o endereço nos currículos, pois “por mais cursos e especializações que possuam, no final das contas, se a pessoa morar longe dos centros, não é contratada” - protesta.
A partir dos questionamentos dos participantes do debate, Gey afirmou haver diferentes maneiras de abordagem para promover a inclusão social dos jovens, de acordo com a cultura em que ele está inserido. A tônica dos trabalhos do professor é a diversidade cultural: a mistura entre hip-hop, pagode, música clássica, arrocha e outras linguagens, é uma de suas estratégias de interação com o jovem da periferia.

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