quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Faculdade Steve Biko: mais uma ação afirmativa

Por Luana Assiz
Quinze anos após a articulação que daria início ao Instituto Cultural Steve Biko, membros de diferentes entidades do movimento negro se reuniram ontem (31), na Faculdade Visconde de Cairu, para discutir a criação da Faculdade Steve Biko. Para debater a proposta, foram convidados o professor doutor em Etnologia pela Universidade de Sorbonne, Carlos Moore, e a ex-reitora da UNEB Ivete Sacramento.

Em fase de discussão, a faculdade será inaugurada até 2012, segundo Sílvio Cunha, diretor do Steve Biko. A proposta de construção da Faculdade é discutida entre seus integrantes desde meados de 2006, quando se iniciou o planejamento estratégico do projeto. O instituto conta com a parceria da Fundação Kellogg para construir a concepção da instituição de ensino superior, que será criada a partir do estudo de outras experiências – como a Faculdade Zumbi dos Palmares, inaugurada em 2003 em São Paulo. Segundo Michel Chagas, gestor do Steve Biko, a prioridade atual é alinhar a concepção da faculdade às demandas do movimento negro. O debate de ontem marca o início da abertura do diálogo entre a instituição e a comunidade acerca dos conceitos estruturais do projeto.
Ação afirmativa em debate
O professor Carlos Moore destacou a importância da participação da comunidade no monitoramento da ética do projeto, que guarda o risco de favorecer interesses pessoais dos seus líderes. “Deixar que a promiscuidade de poder atinja um projeto como esse é proceder como os dirigentes africanos que tomam o poder e o utilizam em benefício de uma dinastia familiar”, alertou o professor. Moore defendeu que a Biko não deve se limitar a construir uma universidade negra, mas, pensar políticas públicas concretas que interajam com os outros componentes da sociedade multirracial de que o Brasil é composta, como a comunidade indígena, por exemplo.
Preocupada com a viabilização do projeto, a ex-reitora Ivete Sacramento falou sobre a captação de recursos, defendendo a participação de empresários negros nas negociações. “O dinheiro não surge do nada. Precisamos buscar apoio financeiro, pois não vamos conseguir concretizar o projeto sozinhos”, afirmou. Cursos, bibliotecas e laboratórios são os passos iniciais, segundo a ex-reitora, para escrever o projeto e submetê-lo à aprovação do Ministério da Educação.

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