Por Luana Assiz
A Universidade Federal da Bahia (UFBA), através da Assessoria para Assuntos Internacionais (AAI), tem estudado formas de cooperação com a recém-criada Universidade de Cabo Verde (UCV). As primeiras discussões sobre o assunto aconteceram há uma semana, em Salvador, com participação do reitor da UCV, Antônio Correia e Silva e de representantes de algumas unidades da UFBA. Os termos da parceria serão assinados nos dias 23 e 24 de outubro, quando um grupo chefiado pelo reitor da UFBA, Naomar de Almeida, e formado por representantes da AAI e pela diretora da Faculdade de Nutrição, Iracema Veloso, farão uma visita à UCV e ao Ministério da Educação de Cabo Verde.
Com apenas um ano de ensino, a instituição africana nasceu a partir de algumas escolas já existentes, como as de Enfermagem e Medicina Veterinária, cujas demandas vão orientar as prioridades da parceria entre as instituições. “A aridez das nove ilhas que compõem o arquipélago, agravada pelos ventos oriundos do deserto do Saara, prejudica a agropecuária local, que é baseada na caprinocultura. Por isso eles solicitaram apoio da nossa Escola de Veterinária”, esclarece o assessor Emílio Silva.
Além desses cursos, a UCV busca apoio das escolas de Belas Artes, Dança, Teatro, Música e Comunicação. “Todas elas oferecem pós-graduações bem ou razoavelmente avaliadas pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Além disso, a Faculdade de Comunicação pode contribuir muito para a produção cultural”, acrescenta. A principal carência da UCV é a capacitação de docentes, cuja maioria não possui títulos de mestrado ou doutorado.
A UCV já conta com apoio da UFRGS, que, segundo Correia e Silva, formará o eixo central da colaboração brasileira com a consolidação da academia. Além da visita do reitor caboverdiano, a UFBA já recebeu as visitas do pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UCV em fevereiro passado e da ministra da educação do país, Filomena Vieira.
Intercâmbio
Os estudantes caboverdianos ocupam 40% das vagas destinadas ao PEC-G (Programa de Estudantes - Convênio de Graduação), da CAPES. Índices que impressionam pelas dimensões do país, como afirma Silva: “Um país com menos habitantes do que o bairro da Liberdade em Salvador e que consegue enviar mais estudantes para estudar fora do que Guiné-Bissau e até mesmo Angola, que tem 13 milhões de habitantes, e Moçambique, com 18 milhões de habitantes”.
O agora arquiteto Osvaldir Rodrigues, que concluiu a graduação no semestre 2007.1, seis anos e meio após deixar Cabo Verde, considera a parceria UFBA-UCV positiva: “O curso de arquitetura exige uma estrutura boa pedagógica, espero que o currículo proposto funcione na prática”, afirma Rodrigues, que deve voltar para o seu país de origem “em no máximo um mês para exercer a profissão lá”.
Outras parcerias
A UCV não é a primeira instituição de ensino africana apoiada pela UFBA. A Universidade Agostinho Neto, única instituição pública de ensino em Angola, e a Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique, também pública, com cerca de 30 anos de existência, mantém parcerias com a universidade baiana há quatro anos.
Para o assessor para Assuntos Internacionais, “é difícil trabalhar com a África por causa das instabilidades, das mudanças freqüentes de dirigentes, o que dificulta o atendimento a solicitações. Mas as parcerias, por outro lado, te dado cerro porque temos recebido um numero cada vez maior de estudantes africanos nos nossos cursos de pós-graduação”.

Um comentário:
Há três tipos de mulher:
-as bonitas,(como você)
-as feias,
-e, as loiras...
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